"Convite para uma chávena de chá de jasmim"


Mostrar mensagens com a etiqueta Ética. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ética. Mostrar todas as mensagens

sábado, 10 de fevereiro de 2007

direitos,deveres e responsabilidades



Socialmente o reconhecimento do "direito a ter um filho" deixa de existir precisamente quando parece que os deveres da educação não podem ser assegurados convenientemente.(...) Aos olhos da maioria ter um filho só é um direito legítimo quando os pais estiverem em situação de o criar em condições reconhecidas, com razão ou sem ela como "satisfatórias". É certo que não existe l"consenso sobre o que se entende por "educação normal" e sobre as pessoas que podem beneficiar das técnicas procriáticas. (...) Mas qualquer que seja a erosão de "família tradicional" e a "extensão do direito a ter um filho", este continua a estar dentro de limites rigorosos. (...)
O direito à vida contra o direito de escolha: não é o reforço da corrente pro-life que caracteriza em profundidade a nossa época; é o alargamento social da ausência do consenso ético, expressão da própria era democrática desligada do culto do dever. Crise social das legitimidades morais que não deve esconder a marcha progressiva dos valores liberais. É pouco provável que o aborto possa, num período dominado pelos direitos individuais, ser posto em causa em absoluto.

in O Crepúsculo do Dever -Gilles Lipovetsky

sábado, 3 de fevereiro de 2007

Primeiro posting



Desconheço se e quantos se seguirão.No entanto, enquanto posting inicial, parece-me oportuno uma nota introdutória. Porquê aderir ao universo bloguista e porquê agora? Enquanto diário, este será - e socorrendo-me da analogia da mensagem na garrafa - a forma de quebrar o isolamento que as tecnologias da informação e comunicação nos impoem: paradoxal? Sem dúvida. Ao contribuir para o isolacionanismo do cibernauta encerrado no seu planeta, promove simultaneamente o contacto com outros mundos e o frenesim da informação. A nossa reacção? Um misto de deslumbramento pelo primeiro e de indiferença face à segunda. Paradoxal, uma vez mais.

Vencer o "inimigo" com as próprias armas ou fazer uso da bengala que me faculta, eis a razao. Sair do anonimato? Nao tanto. Catarse depuradora? Em parte. Busca de humanização ao partilhar aquilo
que temos de mais nosso: a palavra.

E citando F. Savater :(...)"Nela reconheço instintiva e reflexivamente o que deve ser respeitado, não por altruísmo mas para me defender aquilo que me descoisifica, o que me livra da identidade de objecto. Há, no responder à palavra que me é dirigida – palavra que solicita, compromete, talvez minta, que oculta tanto quanto revela – no seu pleno assumir o propósito em que melhor me reconheço: que aconteça o que acontecer não se fale em vão. Resgatar a possibilidade de comunicação racional é a reclamação a que chamo precisamente de ética".

"Sentir? Sinta quem lê" F.Pessoa dixit

in O Conteúdo da Felicidade ,Fernando Savater