"Convite para uma chávena de chá de jasmim"


segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Brand New :)


I made no resolutions for the New Year. The habit of making plans, of criticizing, sanctioning and molding my life, is too much of a daily event for me.
Anaïs Nin




segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

There ?!?



I do think New Year's resolutions can't technically be expected to begin on New Year's Day, don't you? Since, because it's an extension of New Year's Eve, smokers are already on a smoking roll and cannot be expected to stop abruptly on the stroke of midnight with so much nicotine in the system. Also dieting on New Year's Day isn't a good idea as you can't eat rationally but really need to be free to consume whatever is necessary, moment by moment, in order to ease your hangover. I think it would be much more sensible if resolutions began generally on January the second.

Helen Fielding, Bridget Jones's Diary

R We ...?


But can one still make resolutions when one is over forty? I live according to twenty-year-old habits.


Andre Gide

domingo, 30 de dezembro de 2007

Yeah ;)



Good resolutions are simply checks that men draw on a bank where they have no account.




Oscar Wilde

sábado, 29 de dezembro de 2007

A Year's Longing




New Year's is a harmless annual institution, of no particular use to anybody save as a scapegoat for promiscuous drunks, and friendly calls and humbug resolutions.


Mark Twain

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Say What?!?


It wouldn't be New Year's if I didn't have regrets.
William Thomas

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Eternity


Time has no divisions to mark its passage, there is never a thunder-storm or blare of trumpets to announce the beginning of a new month or year. Even when a new century begins it is only we mortals who ring bells and fire off pistols.


Thomas Mann

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

A New Year's Thought a Day


For last year's words belong to last year's language,
And next year's words await another voice.
And to make an end is to make a beginning.

T.S.
Eliot, "Little Gidding"

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Deuses


Árvores

Parece-me que nunca ninguém há-de
Ver poema tão belo como a árvore.
Árvore que sua boca não desferra.
Do seio doce e liberal da terra.


Árvore, sempre de Deus a ver imagem
E erguendo em reza os braços de folhagem.
Árvore que pode usar, como capelo,
Ninhos de papo-ruivo no cabelo;


Em cujo peito a neve esteve assente;
Que vive com a chuva intimamente.
Os tontos, como eu, fazem poesia;
Uma árvore, só Deus é que a faria.


Joyce Kilmer

Gratidão

A gratidão é a mais agradável das virtudes; não é, no entanto, a mais fácil. Por que seria? (...)

A gratidão não nos tira nada, ela é dom em troca, mas sem perda e quase sem objeto. A gratidão nada tem a dar, além do prazer de ter recebido. (...) Generosidade da gratidão… se a gratidão nos falta com tanta frequência, não será, de novo, mais por incapacidade de dar do que de receber, mais por egoísmo do que por insensibilidade? Agradecer é dar; ser grato é dividir . O egoísta pode regozijar-se em receber. Mas seu regozijo é seu bem, que ele guarda só para si. Ou, se o mostra, é mais para fazer invejosos do que felizes: ele exibe seu prazer, mas é o prazer dele. Já esqueceu que outros têm algo a ver com isso. Que importância têm os outros? Por isso o egoísta é ingrato: não porque não goste de receber, mas porque não gosta de reconhecer o que deve a outrem, e a gratidão é esse reconhecimento, porque não gosta de retribuir, e a gratidão, de facto, retribui com o agradecimento, porque não gosta de partilhar, porque não gosta de dar. O que a gratidão dá? Ela dá a si mesma . É prazer somado ao prazer, felicidade somada à felicidade, gratidão somada à generosidade… O egoísta é incapaz disso, pois só conhece suas próprias satisfações, sua própria felicidade, pelas quais zela como um avaro por seu cofre. A ingratidão não é incapacidade de receber, mas incapacidade de retribuir – sob a forma de alegria, sob a forma de amor – um pouco da alegria recebida ou sentida. É por isso que a ingratidão é tão frequente. Nós absorvemos a alegria como outros absorvem a luz: buraco negro do egoísmo.

Essa gratidão é gratuita, por não se poder exigir dela, ou para ela, nenhum pagamento. O reconhecimento talvez seja um dever, em todo caso uma virtude, mas, observa Rousseau, não poderia ser um direito exigi-lo ou exigir o que quer que seja em seu nome.

Não confundamos gratidão com retribuição de cortesias. Digamos apenas que a gratidão é levada a agir, por sua vez, em favor de quem a suscita, não decerto para trocar um obséquio por outro (não seria mais gratidão, e sim troca): “O reconhecimento ou gratidão é o desejo ou o zelo de amor pelo qual nos esforçamos em fazer o bem àquele que o fez a nós, em virtude de um sentimento semelhante de amor por nós.” É aí que passamos da gratidão simplesmente afectiva, como dirá Kant, à gratidão activa: da alegria retribuída à acção retribuída. (...) O certo é que a gratidão se distingue da ingratidão precisamente por saber ver no outro (e não, como o amor-próprio, unicamente em si mesmo) a causa de sua alegria – pelo que a ingratidão é ruim, pelo que a gratidão é boa, e torna bom.

A força do amor-próprio explica assim a raridade ou a dificuldade (“tudo o que é belo é tão difícil quanto raro…”) da gratidão: cada um, do amor recebido, prefere tirar glória, que é amor a si, em vez de reconhecimento, que é amor ao outro. “O orgulho não quer dever”, escreve La Rochefoucauld, “e o amor-próprio não quer pagar”. Como não seria ele ingrato, se só sabe amar a si, admirar a si, celebrar a si?

Há humildade na gratidão, e a humildade é difícil. ´


Humildade de Bach, humildade de Mozart, tão diferentes uma da outra (o primeiro agradece, dá graças, com génio sem igual, o segundo, poder-se-ia dizer, é a própria graça…), mas ambas comoventes de gratidão feliz, de simplicidade verdadeira, de potência quase sobre-humana, com a serenidade, mesmo na angústia ou no sofrimento, de quem se sabe efeito, não princípio, e contido naquilo que canta, e que o faz ser, e que o arrebata… (...)… Sim, isso que podemos ler na Ética de Spinoza também ouvimos na música, e nas de Bach e de Mozart, parece-me, melhor do que em qualquer outra (em Haydn ouvem-se mais a polidez e a generosidade, em Beethoven a coragem, em Schubert a doçura, em Brahms a fidelidade…), e é o suficiente para dizer a que altura a gratidão se situa: virtude de ápice, e para os gigantes muito mais que para os anões.

A gratidão regozija-se com o que aconteceu, ou com o que é. “A vida do insensato”, dizia Epicuro, “é ingrata e inquieta: ela se volta toda para o futuro.”
Por isso eles vivem em vão, incapazes de se saciarem, de se satisfazerem, de serem felizes: eles não vivem, dispõem-se a viver, como dizia Séneca. (...)

A gratidão (charis) é essa alegria da memória. É o tempo reencontrado, se quisermos (“a gratidão do que foi”, diz Epicuro). (...) O reconhecimento é um conhecimento (ao passo que a esperança nada mais é que uma imaginação); é por aí que ela alcança a verdade, que é eterna, e a habita. Gratidão: desfrutar eternidade.

Não estou persuadido de que a gratidão seja um dever, como pensavam Kant e Rousseau. Mas o facto de ela ser uma virtude, isto é, uma excelência, é atestado pela evidente baixeza de quem é incapaz de gratidão, e atesta a mediocridade de nós todos, que carecemos dela! (...)

Pode ser até que esta às vezes se inverta naquela, a tal ponto o amor-próprio é susceptível: a ingratidão para com o benfeitor, escreve Kant, “é um vício na verdade extremamente detestável ao juízo de todos, embora o homem tenha tão má reputação sob esse aspecto, que ninguém considera inverosímil que seja possível fazer um inimigo mediante benefícios notáveis”. Grandeza da gratidão: pequenez do homem.

Sem contar que o próprio reconhecimento pode ser às vezes suspeito. La Rochefoucauld não via nele mais que interesse disfarçado, e Chamfort notava com razão que “há uma espécie de reconhecimento baixo”. É servilidade disfarçada, egoísmo disfarçado, esperança disfarçada. Só se agradece para se ter mais (diz-se “obrigado”, pensa-se “mais”!). Não é gratidão, é lisonja, obsequiosidade, mentira. Não é virtude, é vício. Virtude segunda, se não secundária, que cumpre manter em seu devido lugar: a justiça ou a boa-fé podem autorizar uma falta com a gratidão, mas não a gratidão uma falta com a justiça ou a boa-fé. Ele me salvou a vida: devo, por isso, impor-me um falso testemunho em seu favor e com isso condenar um inocente? Claro que não! Não esquecer não é ser ingrato, pelo que devemos a determinado indivíduo, o que devemos a todos os demais e a nós mesmos. Gratidão não é complacência. Gratidão não é corrupção.

A gratidão é alegria. Alegria somada a alegria. A gratidão é nisso o segredo da amizade, não pelo sentimento de uma dívida, pois nada se deve aos amigos, mas por superabundância de alegria comum, de alegria recíproca, de alegria partilhada.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

N... de Natal





Bucólica

Vêm do olival os cestos
Sendas por pastagens e lameiros,
À mistura de verbena e dos teus risos.
Na telha de rebordo dos beirais
O rumor do vento. Ninhos em rama
Presos às goteiras. Passos
Pelo chão de urtigas.
Azeite cru na torcida das candeias.
Azeite velho sobre sêmea torrada.
E bagaço. E a alegria das mãos sujas.
Ervas brancas e resedas
Cobrem as cântaras de leite.
Vai anoitecer para nós partirmos.

Joaquim Manuel Magalhães

Where to?


I'm driving home for Christmas
Oh, I can't wait to see those faces
I'm driving home for Christmas, yea
Well I'm moving down that line
And it's been so long
But I will be there
I sing this song
To pass the time away
Driving in my car
Driving home for Christmas
It's gonna take some time
But I'll get there
Top to toe in tailbacks
Oh, I got red lights on the run
But soon there'll be a freeway
Get my feet on holy ground
So I sing for you
Though you can't hear me
When I get through
And feel you near me
I am driving home for Christmas
Driving home for Christmas
With a thousand memories
I take look at the driver next to me
He's just the same
Just the same
Top to toe in tailbacks
Oh, I got red lights on the run
I'm driving home for Christmas, yea
Get my feet on holy ground
So I sing for you
Though you cant hear me
When I get through
And feel you near me
Driving in my car
Driving home for Christmas
Driving home for Christmas
With a thousand memories

domingo, 23 de dezembro de 2007

Convite



Vem aqui, de Creta, a este templo


Vem aqui, de Creta, a este templo
sagrado, onde há um gracioso
bosque de macieiras e altares
onde arde o incenso.


Aqui a água fresca
canta através dos ramos
das macieiras, a sombra
das roseiras cobre todo o recinto
e das trémulas folhas
desce um sono pesado.


Aqui, o prado onde pastam os cavalos
já se cobriu de flores
primaveris e as brisas
sopram suavemente…


Vem, pois, ó cípris, coroada de grinaldas,
e derrama graciosamente nas douradas taças
o néctar associado aos festins.

Safo (VII-VI a.C.)

sábado, 22 de dezembro de 2007

Analogias



As árvores e os livros

As árvores como os livros têm folhas e margens lisas ou recortadas, e capas (isto é copas) e capítulos de flores e letras de oiro nas lombadas.

E são histórias de reis, histórias de fadas, as mais fantásticas aventuras, que se podem ler nas suas páginas, no pecíolo, no limbo, nas nervuras.

As florestas são imensas bibliotecas, e até há florestas especializadas, com faias, bétulas e um letreiro a dizer: «Floresta das zonas temperadas».


É evidente que não podes plantar no teu quarto, plátanos ou azinheiras. Para começar a construir uma biblioteca, basta um vaso de sardinheiras.


Jorge Sousa Braga

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Feliz Dia :))


Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,

Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconsequentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.

E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exacta para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
Das suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.

Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.

Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.

Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.

Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você sentir-se-á bem por nada.

Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.

Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
À sua frente e diga `Isso é meu`,
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.

Desejo também que nenhum de seus afectos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.

Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.

E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.

Proporção :)



A vida perfeita

Não é crescendo à toa,

Como as árvores, que alguém se aperfeiçoa;

Não como o roble, em pé trezentos anos,

E ser madeiro enfim, calvo, seco sem ramos.

Esse lírio de um dia,

Em Maio, tem mais valia,

Mesmo que à noite caia já sem cor:

Foi a planta da luz, era o sol a flor.


Em justas proporções a beleza se ajeita,

E só num ritmo breve é que a vida é perfeita.


Ben Jonson



quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Lugares



No lugar da árvore


No lugar da árvore. No lugar do ouvido.

No lugar do chão. Unidade crepitante

no silêncio aberto no Trânsito. Tronco, calma

bomba indeflagrável, dádiva da identidade.

António Ramos Rosa

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Evocação



Azagaia, Árvore, Sombra


Há objectos que perseguem a nossa infância,
depois, vida fora, esquecem-se os seus mágicos nomes,
a sonhada utilidade que os anima.


Poderíamos pressenti-los dentro de nós,
e isso sucede, por instantes, quando o fundo que os obscurece
se ilumina de repente
e os distinguimos a contra-luz.

Silhuetas animam-se na memória. Uma breve,
quase acessória, viagem no tempo começa.


Luís Quintais